16 de outubro de 2013

Coordenador de saúde indígena pede exoneração em reunião entre MPF, Sesai e lideranças

Saída de Nelson Olazar, coordenador do DSEI em MS era a principal reivindicação dos indígenas, que ocuparam a sede do órgão por 23 dias. Reunião foi promovida e intermediada pelo MPF.

Em momento tenso da reunião, indígenas viram as costas para o coordenador Nelson Olazar
O coordenador-chefe do Distrito Sanitário Especial de Saúde Indígena (DSEI) Nelson Carmelo Olazar, pediu a exoneração do cargo durante a reunião promovida pelo MPF na sede da instituição em Campo Grande. A saída de Nelson era a principal reivindicação da segunda maior população indígena do país, com 75 mil pessoas. 
A reunião contou com a presença do secretário-substituto da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), Fernando Rodrigues da Rocha, superior hierárquico do coordenador. O diálogo só foi possível após intermediação do procurador da República Emerson Kalif Siqueira. 

A reunião teve início às 10h de ontem (15), com duração de 4 horas. Entre as reivindicações dos indígenas para a melhoria do atendimento a saúde nas aldeias, o principal pedido era a saída do coordenador do DSEI, que ocupa o cargo há 14 anos. Indignados com a situação precária da saúde nas comunidades, os índios se recusaram a ouvir o coordenador e, em sinal de protesto, deram-lhe as costas. 
Por fim, Nelson Olazar pediu sua exoneração, que deve ser publicada em alguns dias. Outro servidor público será indicado para substituí-lo. Estiveram presentes os procuradores da República Emerson Kalif Siqueira, Ricardo Pael Ardenghi, Rodrigo Timóteo da Costa e Silva e Ricardo Tadeu Sampaio; o presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi), Fernando Souza, e líderes de várias etnias - terena, guarani-kaiowá, guarani-ñandeva, kinikinawa, ofaié-xavante e kadiwéu - e de diversas aldeias indígenas de MS. A reunião foi proposta pelo MPF após a ocupação do prédio da DSEI/MS pelos indígenas, entre os dias 18 de setembro e 10 de outubro de 2013, como forma de reivindicar melhorias nas condições de saúde nas comunidades.
 Os pedidos já vinham sendo feitos pelos indígenas, em episódios rotineiros, ou em situações mais emergenciais. Em julho de 2013, o prédio do DSEI/MS chegou a ser ocupado pelos indígenas durante uma tarde, em protesto contra a omissão da coordenadoria, que não respondia às solicitações. Os índios concordaram em desocupar o prédio da DSEI/MS em julho, perante a promessa de comparecimento de um representante da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) à reunião. O compromisso foi descumprido pelo secretário da Sesai. 
Durante a reunião, o procurador da República Emerson Kalif Siqueira solicitou à Sesai que reavalie a atual estruturação do DSEI, que mesmo atendendo à 2ª maior população indígena do país, tem a mesma estrutura que distritos 10 vezes menores. 
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Ambulâncias deterioradas atestam as péssimas condições da saúde indígena
Entre as principais reclamações estão a prestação permanente de serviços de plantão; maior frequência dos atendimentos médicos e odontológicos nas aldeias; melhor estruturação dos postos de atendimento e rapidez no fornecimento de medicamentos receitados e na entrega de exames.

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