30 de julho de 2016

Três indígenas estão entre dez finalistas do Prêmio Pipa 2016

Grafismo facial _ Foto site jaideresbell.com.br

Por Tereza Amaral

A partir deste domingo começa o 2º turno do PIPA Online 2016, uma das mais importantes premiações de artes visuais no Brasil.  Amazônia Legal em Foco fez uma breve entrevista com Jaider Esbell, via Rede Social, indígena da etnia Macuxi mais votado na primeira etapa. 

Mais dois artistas das etnias Pataxó e Huni Kuim também estão entre os dez finalistas. Jaider Esbell foi o mais votado  com 1.506 votos no 1º turno. Pela primeira vez, desde que criado em 2010, indígenas foram indicados. A votação segue até o dia sete de Agosto.Confira Entrevista, a seguir:

P:A sua arte tem um diferecial misturando o naif com o rupestre. Você pode nos falar sobre essa influência?
 
R:Eu respeito as formas da natureza, a mitologia me deixa livre para brincar com traços leves, fiz, caiu no gosto popular e eu me sinto bem. Evito comparações e categorizações. Como nunca estudei arte, também não sei ensinar. Me disseram que eu descobri a técnica, mas tudo foi fruto de mais de 30 anos de rabiscos. cheguei ao ponto do falso simples! Eu acho!

P:Aproveitando o gancho de comparações, com Guernica Picasso denunciou o bombardeio da cidade pelos alemães na Guerra Civil espanhola. O seu trabalho também tem um viês de denúncia?

R:Não exatamente. Eu prefiro entender meu trabalho como um convite às pessoas comuns a um envolvimento direto com essas realidades, sendo elas partes diretas. Eu sou índio e tenho acesso a paisagens reais. A grande mídia tem acesso às mesmas informações, desmandos e abusos na floresta; eu como índio tenho acesso a rede de internet. Não, a denúncia está evidente, mas eu prefiro que seja um convite a sentir parte do problema e parte das soluções!

P:O que significa a indicação, e já indo para segunda etapa de votação, o Prêmio Pipa?
Trabalhos de Jaider Esbell em acrílico sobre tela
 _  Fotos site premiopipa
R:Significa, especificamente pra mim, o resultado de uma atuação focada de mais de três décadas, construindo uma plataforma sólida, com base na coletividade, na ancestralidade. O meu trabalho sempre se baseou na coletividade, no contexto amplo de agregar, disseminar e especialmente trocar as influências e oportunidades. De não acreditar simplesmente em "ocupar espaços", mas de lutar por eles, construí-los para usufruir, e resultado, não sorte.
 
P:Falando em ancestralidade, nos fale um pouco sobre o seu povo da etnia Macuxi.

R:Makuxis vivem entre 3 países, Brasil, Venezuela e Guiana. No Brasil tem 1,7 milhão de hectares chamado Raposa-Serra do Sol, onde nasci e onde mora parte de meus parentes, outros vivem nas cidades como parte da diversidade e realidades em que vivem os Makuxi. Parte fala a língua, outros como eu estão em processo de estudar o idioma. Muitos são cristãos, outros não,
tem ainda amplo sistema político e cultural, crenças, curas por remédios, sistema próprio de valores de julgamento e punição, são referência no mundo em política e estratégia.

P:Você acaba de fazer uma exposição no Piauí, na galeria do campus da Universidade Federal. Já tem um roteiro de cidades para a próxima mostra  IT WAS AMAZON! – Era uma vez a Amazônia? 

R:Sim, no Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco. Volto a Roraima e em março de 2017 vou para o Rio Grande do Sul e demais estados até alcançar todo território nacional. Para votar clique aqui

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