28 de setembro de 2016

Algozes de indígenas no MS tentam eleição no dia 2 de outubro


Candidatos a prefeito possuem terras em áreas Guarani Kaiowá ou Terena; outros são pecuaristas, latifundiários; alguns foram protagonistas diretos de episódios violentos nos últimos anos

De Olho nos Ruralistas

Por Alceu Luís Castilho e Izabela Sanchez

Eles não são Guarani Kaiowá. E disputam as prefeituras do Mato Grosso do Sul do outro lado da trincheira: como pecuaristas, latifundiários, defensores da propriedade privada em áreas reivindicadas por povos indígenas. Alguns foram protagonistas diretos de episódios que figuram entre os mais violentos na mais concentrada disputa de terras do país. Casos de ameaças – e de mortes. Mortes de Guarani Kaiowá, mortes de Terena. O caldeirão de violência sul-mato-grossense tem neste domingo (02/10) um dos pontos estratégicos de sua fervura.
De Olho nos Ruralistas fez um levantamento dos candidatos a prefeito e vice-prefeito nos 79 municípios do estado. Identificou dezenas de milionários, muitos a ostentar fazendas e cabeças de gado. Não são os únicos, claro, entre os políticos. Há deputados estaduais, federais, senadores, com terras declaradas nos municípios onde há mais conflito de terras na região. Ou que participaram ativamente (a começar do governador, o tucano Reinaldo Azambuja), do Leilão “da Resistência”, em 2013 – destinado a armar os fazendeiros contra a resistência indígena.
Entre eles há casos como o do ex-deputado federal Pedro Pedrossian Filho, candidato pelo PMB em Campo Grande. Seu pai foi governador (1991-1995 e 1980-1982) e tem terras em áreas invocadas pelos Terena. Por ali já houve reintegração de posse, em 2010, de forma violenta. Ou o caso do prefeito de Antônio João, Dácio Queiroz (PSDB), candidato à reeleição. Membro de um clã familiar com interesse direto em um confronto violento. Onde o sangue despejado tem um só lado: o dos Guarani Kaiowá. Onde fazendeiros se unem em comboio para, armados, despejarem os povos originários. Como ocorreu em 29 de agosto de 2015, na Fazenda Fronteira, onde Semião Vilhalva foi assassinado. Leia matéria original aqui.

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