25 de julho de 2016

Enfermeira Terena tem estudo sobre sífilis em indígenas aprovado (MS)

Zuleica Tiago  é a primeira enfermeira indígena a se formar no Mato Grosso do Sul  e defendeu sua dissertação pela Universidade Federal. 


 
 
Daiane Libero em Midiamax
 
Ela já integra o Conselho do Povo Terena, representando também o Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul e a Comissão Estadual de Saúde. Agora, a terena Zuleica Tiago é também a primeira enfermeira indígena a se formar em Mato Grosso do Sul, após defesa de sua dissertação pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), defendida na manhã desta quinta-feira (23), na Capital. 

Intitulado “Sífilis adquirida, sífilis em gestante e sífilis congênitas na população indígena do Mato Grosso do Sul: Análise comparativa entre as notificações no SINAN e DSEI-MS”, o trabalho elenca um estudo feito com dados do Sinan (Sistema de Informação de Agravos e Notificações) e do Dsei-MS (Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul), sobre a incidência de sífilis entre a população de índios, a maioria em situação vulnerável. 
 
A descoberta da pesquisadora é a de que a situação dos nossos indígenas corrobora para o cenário da doença. “A partir dos resultados obtidos, o maior caso de Sífilis registrado foi na região sul do estado, onde residem os Guarani-Kaiowá e estão diretamente ligadas as condicionantes de saúde desfavoráveis como: perda de território originário, concentração demográfica e desestruturação socioeconômica”, afirmou Zuleica. 
 
Essas situações, de acordo com Zuleica, impactam na vulnerabilidade a doenças infectocontagiosas destes povos. Segundo ela, o resultado final de sua dissertação deve ser levado para as comunidades, para que seja uma forma de colaboração para modificação da dinâmica das doenças.
 
 “Agora que aprovada, a minha dissertação será levada para as comunidades indígenas por meio de ações de saúde para evitar a disseminação das IST (Infecções Sexualmente Transmissíveis)”, analisou a pesquisadora.
 
Segundo Lindomar Ferreira, coordenador do Dsei-MS, o estudo tem grande importância para as populações de aldeias do estado, tendo em vista ser pesquisado e defendido por uma profissional da saúde indígena que atua dentro das comunidades. “A partir de agora temos um instrumento de grande riqueza que precisa se adequar para que seja aplicada de melhor maneira dentro das diversas comunidades do nosso estado”, disse.
 

 

23 de julho de 2016

Dois terrorismos e duas medidas?



Por Tereza Amaral

É inegável e motivo de orgulho para os brasileiros a competência da   Polícia Federal. A Operação hastag com prisões  de envolvidos no grupo virtual “Defensores da Sharia” só reforça que temos entre as melhores inteligências do mundo. 
Mas quando ações de terror ocorrem na Faixa de Gaza Indígena é lamentável a invisibilidade na coibição e punição de  grupos armados a serviço de fazendeiros que vem praticando sistemáticos massacres no Mato Grosso do Sul. 
Naquele estado os Terena e Guarani-Kaiowá, sobretudo estes últimos, são assassinados em ataques cometidos em bloco e largamente difundidos nas redes sociais. Até um leilão foi feito pelos ruralistas com o objetivo de arrecadar fundos para financiar o genocídio em curso. E tudo publicamente em meio “a cerveja e espetinho”. Ler aqui. 

Ativistas, ongs, Apib (Articuação dos Povos Indígenas do Brasil), conselhos representativos dos indígenas e apoiadores diariamente denunciam  ataques contra as comunidades. A PF sequer chegou  aos responsáveis na cadeia de comando pelas mortes dos indígenas Semião  Vilhalva, no ano passado, e Clodiode Aquileu Rodrigues de Souza no Massacre de Caarapó.

Na desastrosa CPI do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), que tentou acusar a entidade de financiar e organizar ocupações de terra no Mato Grosso do Sul, o que vimos foi o delegado da PF Alcídio de Souza Araújo ter seu depoimento desmontado por um vereador indígena. 
O mesmo delegado na reintegração de posse da Fazenda Buriti, onde o guerreiro Oziel Terena foi assassinado durante a ação de despejo,  determinou a apreensão do  computador, gravador e lentes para câmara fotográfica do jornalista Ruy Sposati. Ler aqui. 
Terrorismo

A analogia entre a atuação da Polícia Federal na Operação hastag  e  na "Hastag genocídio" é necessária para o entendimento da omissão do Estado nos atos de terror praticados contra os indígenas. E  vale ressaltar que o órgão e a Funai são vinculados ao Ministério da Justiça e Cidadania.

Por  terrorismo, segundo a Lei 13.260 de Março de 2016, sancionada pela presidente Dilma Rousseff, em seu Artigo 2o " consiste na prática por um ou mais indivíduos dos atos previstos neste artigo, por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, quando cometidos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública".

O parágrafo primeiro dispõe sobre atos de terrorismo: "usar ou ameaçar usar, transportar, guardar, portar ou trazer consigo explosivos, gases tóxicos, venenos, conteúdos biológicos, químicos, nucleares ou outros meios capazes de causar danos ou promover destruição em massa”. Ler aqui.

O que ocorre contra os indígenas no Mato Grosso do Sul - coincidentemente os presos suspeitos de planejar ataque nos Jogos Olímpicos foram transferidos, ontem, para a Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Campo Grande - não seriam atos terroristas?

E mais: o que dizer sobre os massacres, os ataques com agentes químicos – agrotóxicos – em vôos rasantes que fazendeiros fazem “pulverizando” crianças, mulheres e idosos em cima dos tekohas? Leiam documento entregue à relatora da ONU Victoria Tauli-Corpuz pelo Secretário Executivo do Cimi, Cleber Buzzato, por ocasião da sua visita ao Brasil com recentes atos de violência (Massacre de Caarapó aconteceu depois), inclusive cinco por agentes químicos.

21 de julho de 2016

O descontrole do Estado e os ataques violentos contra os Guarani-Kaiowá. Entrevista especial com Cleber Buzatto

A situação é calamitosa”, resume Cleber Buzatto - na foto, ao centro - à IHU On-Line ao comentar os conflitos e as ações contra os índios Guarani-Kaiowá em Mato Grosso do Sul.
 
 

Segundo ele, o atual quadro é reflexo de um “descontrole absoluto por parte do Estado brasileiro, que, em função da impunidade generalizada e da falta de atuação”, tem permitido a proliferação de “ações de milicianos organizados de forma paramilitar que vêm, inclusive à luz do dia, promovendo esses ataques, quase que cotidianos – sistemáticos – contra os Guarani-Kaiowá”.
 
Na entrevista a seguir, concedida por telefone à IHU On-Line, Buzatto informa que este ano o governo federal cortou 30% dos recursos previstos para aFundação Nacional do Índio - Funai, o que tem gerado um “estrangulamento do órgão”.
 
O Secretário Executivo do Cimi também comenta brevemente as indicações de dois generais do Exército para a ocupação do cargo da Funai e o encontro do presidente interino, Michel Temer, com ruralistas na semana passada. Esses fatos, pontua, demonstram “uma orientação política do governo interino de Temer no que diz respeito aos povos indígenas, no sentido de uma retroação na relação do Estado brasileiro com esses povos, tal qual a estabelecida pelo Estado na época da Ditadura Militar”. E acrescenta: “O governo quer voltar à relação pré-constituinte, ou seja, uma relação de tutela, de servilismo e de integracionismo dos povos em relação ao Estado, o que é inaceitável”.
 
Cleber César Buzatto é Secretário Executivo do Conselho Indigenista Missionário – Cimi.
 
IHU On-Line - Como avalia a sucessão de ataques que ocorreram contra os indígenas na última semana? Outras comunidades podem estar em risco neste momento? Qual o panorama da situação?
 
Cleber César Buzatto – A situação é calamitosa. Avaliamos que há um descontrole absoluto por parte do Estado brasileiro e, em função da impunidade generalizada e da falta de atuação do próprio Estado, proliferam as ações de milicianos organizados de forma paramilitar que vêm, inclusive à luz do dia, promovendo esses ataques, quase que cotidianos – sistemáticos – contra os Guarani-Kaiowá, no estado de Mato Grosso do Sul. Ações como essas são levadas a cabo por representantes do agronegócio, latifundiários e pessoas contratadas, que estão agindo de forma completamente impune. É evidente que precisa haver uma ação do Estado para pôr fim a essa barbárie que está sendo cometida pelo latifúndio e pelo agronegócio contra os Guarani-Kaiowá.
 
IHU On-Line – Além dos Guarani-Kaiowá, que outras comunidades estão correndo perigo no estado?
 
Cleber César Buzatto – Da forma como está a situação em Mato Grosso do Sul, todas as comunidades Guarani-Kaiowá estão em risco, de modo especial, exatamente essas que vivem na região do município de Caarapó, próxima àReserva de Tey'i Kue e também as comunidades de Kurusu Ambá, que também sofreram ataque na semana passada.
 
IHU On-Line – Alguma providência já foi tomada para apuração dos ataques ocorridos recentemente? Como estão agindo a Força Nacional de Segurança e a Polícia Federal quanto a esses casos?
 
Cleber César Buzatto – A nossa avaliação é de que há uma parcimônia muito grande das forças policiais, seja para impedir os ataques, seja para identificar e punir os criminosos que estão cometendo esses ataques. O que existe de mais efetivo é uma investigação conduzida pelo Ministério Público Federal, que inclusive identificou e apresentou denúncia contra 12 pessoas que foram acusadas de formação de milícia no ataque aos Guarani-Kaiowá nos últimos períodos. No entanto, por parte da Polícia Federal, que seria a polícia investigativa e de inteligência, até o momento não temos observado ação no sentido de identificar e punir os responsáveis por esses ataques.
 
IHU On-Line - Que medidas têm sido tomadas para proteger as comunidades indígenas sob ameaça?
 
Cleber César Buzatto – O que tem acontecido, e de forma ainda tardia muitas vezes, é a ação reativa, ou seja, depois de comunicada de que está havendo um ataque, a Força Nacional se desloca para o local e, muitas vezes, demora muito para fazer o deslocamento de forma reativa. Inclusive ontem [13-07-16] foi necessário comunicar diretamente o inistério da Justiça para ver se era possível fazer o deslocamento da Força Nacional para essas regiões, onde havia a preparação de um novo ataque na região de Caarapó. Portanto, avaliamos que é preciso uma ação preventiva, que evite os ataques; uma ação, quando necessária, reativa e imediata, e que puna e qualifique os autores ou os que estão ameaçando o ataque; e, evidentemente, uma ação investigativa que identifique, ofereça denúncia e punição aos responsáveis por esses ataques.
 
IHU On-Line – Atualmente como está a atuação da Funai frente ao contexto de violência contra os indígenas na luta pela demarcação de terras e em meio às decisões judiciais de reintegração de posse, nas quais muitas vezes é chamado a atuar?
 
Cleber César Buzatto – Nossa avaliação é de que os agentes da Funai que atuam nessa região de Mato Grosso do Sul demonstram boa vontade de contribuir e trabalhar na defesa dos povos indígenas, que é a função institucional. Mas é evidente que existe uma deficiência estruturante de recursos humanos e de recursos financeiros que possibilitem uma estrutura mínima necessária para um atendimento mais qualificado. O governo brasileiro cortou recursos da Funai na ordem de 30% para este ano, o que gera um estrangulamento do órgão indigenista e que significa uma dificuldade muito grande por parte dos agentes de atuar de forma mais qualificada. Claro que não é função da Funai retirar os povos dos seus territórios, embora um juiz federal de Dourados, recentemente, tenha insistido em uma ação de reintegração de posse da Fazenda Ivu – mesmo local onde foi assassinado o Clodiode Aquileu Rodrigues de Souza –, determinando que a Funai faça a retirada dos índios. Mas nós entendemos que esse não é papel da Funai e esperamos que ela não faça isso, porque não tem nem capacidade para fazer isso, muito menos legitimidade para tal.
 
IHU On-Line – A Funai tem um histórico de frequentes mudanças em sua presidência. De que modo avalia essas constantes trocas de liderança da Fundação e as recentes indicações de dois militares para o cargo, primeiro Sebastião Roberto Peternelli Júnior e depois Franklimberg Ribeiro de Freitas, ambos generais do Exército?
 
Cleber César Buzatto – As indicações dos generais do Exército para a presidência da Funai são um indicativo, na nossa avaliação, bastante emblemático de uma postura e de uma orientação política do governo interino de Temer no que diz respeito aos povos indígenas, no sentido de uma retroação na relação do Estado brasileiro com esses povos, tal qual a estabelecida pelo Estado na época da Ditadura Militar. Relação esta que foi de imposição, que trabalhava em uma perspectiva de integracionismo, o qual foi vencido pelos termos da Constituição Brasileira, que reconheceu os direitos dos povos originários aos seus costumes, crenças e tradições, como também o direito às suas terras tradicionais. A indicação desses militares nos leva a entender que o governo quer voltar à relação pré-constituinte, ou seja, uma relação de tutela, de servilismo e de integracionismo dos povos em relação ao Estado, o que é inaceitável. Os povos têm demonstrado essa não aceitabilidade por meio de ações, mobilizações e também de documentos, assim como a sociedade civil que atua com esses povos também tem reagido e se manifestado publicamente sobre a situação indígena, a ponto de o governo, pelo menos taticamente, não ter condições, neste momento, de efetivar essa nomeação devido à reação dos povos e da sociedade. Mas essas indicações são preocupantes e mais ainda a insistência do governo nessa direção.
 
IHU On-Line - O modelo econômico brasileiro de exportação de commodities também é um fator que intensifica os conflitos fundiários no país? De que modo? Poderia falar um pouco sobre essa relação?
 
Cleber César Buzatto – O modelo econômico do país que prioriza a exportação de matérias-primas – commodities agrícolas e minerais – é um modelo falido. Para nós, isso é um absurdo muito grande e esse é um dos fatores principais que têm levado à potencialização dos ataques e das violações contra as comunidades indígenas, contra quilombolas, contra extrativistas e trabalhadores sem-terra por parte do agronegócio, que é um modelo que acaba, em muitas situações, se beneficiando dessa perspectiva de produção de commodities, fundamentalmente voltadas para a exportação.
Evidentemente que essa perspectiva é viabilizada por meio de decisões políticas e de financiamento público. Nos últimos anos, apenas no Plano Safra 2014/2015, para termos uma ideia, o Estado brasileiro aportou cerca de R$ 10 bilhões na forma de subsídio ao latifúndio e ao agronegócio. Mas mesmo com esse subsídio todo, está na pauta da bancada ruralista, assim como das associações de produtores de commodities agrícolas voltadas para a exportação, a securitização da dívida, ou seja, uma espécie de “calote” no pagamento da dívida dos fazendeiros aos cofres públicos. Esse foi, inclusive, um dos temas da reunião-almoço que aconteceu na última terça-feira (12/07/2016), quando o presidente interino foi visitar os ruralistas na mansão mantida pela bancada ruralista no Lago Sul, em Brasília. Pela primeira vez um presidente em exercício visita os ruralistas na mansão mantida pelos próprios ruralistas em Brasília, e isso é um indicativo forte de que essa perspectiva e esse modelo tendem a ser fortalecidos ainda mais em uma eventual confirmação do mandato de Temer nos próximos períodos.
 
IHU On-Line – A instabilidade política no país e o apoio da bancada ruralista ao governo interino podem agravar o contexto dos povos indígenas em comparação com os últimos mandatos do PT, que também não apresentaram caminhos para a resolução dos conflitos fundiários?
 
Cleber César Buzatto – Estamos convencidos de que a confirmação do governo Temer funcionará para que aconteça uma piora ainda maior nas situações vividas pelos povos indígenas no Brasil. Sempre fomos críticos em relação ao governo Dilma, exatamente pelas opções prioritárias que ela fez pelo modelo do agronegócio, inclusive com deficiências graves em relação ao andamento do procedimento de demarcação de terras indígenas, quilombolas e da reforma agrária. Mas, com esse novo governo, a tendência é que todas as mazelas que já vinham sendo cometidas pelo agronegócio e pelos representantes do agronegócio na Câmara se aprofundem ainda mais, seja no que diz respeito aos ataques e violações diretas aos povos e suas lideranças, seja por meio de ações de intimidação e criminalização no âmbito do poder Legislativo, como já tem acontecido, por exemplo, por meio da CPI da Funai e por meio da PEC 215, ou pelo Projeto de Lei 1610 – que trata da mineração em terras indígenas – e outros tantos que são manejados pelos ruralistas no âmbito do Congresso brasileiro.
 
IHU On-Line - A partir da reunião da Frente Parlamentar da Agropecuária – FPA com o presidente interino Michel Temer, que assumiu o compromisso de repensar as regras para demarcação de áreas indígenas, compra de terras brasileiras por estrangeiros e de licenciamento ambiental, que prognósticos podem ser esperados sobre a situação dos povos indígenas brasileiros?
 
Cleber César Buzatto – Por um lado, como disse, é esperado que se intensifiquem os ataques e as violências e, portanto, um quadro ainda mais grave na relação vivida pelos povos indígenas nos país. Por outro lado, nós entendemos que os povos indígenas não aceitarão essa situação sem reagir e sem resistir. Portanto, a tendência é que continue a mobilização dos povos em defesa dos seus direitos e pela efetivação deles nas diferentes regiões do país. Os povos, historicamente, têm sido muito sábios nas deliberações que têm tomado nessa perspectiva. A Ditadura Militar também tentou implantar, a ferro e fogo, o projeto do integracionismo, inclusive com metas de que, no ano 2000, não existiriam mais povos diferenciados no país. Mas os povos venceram a ditadura e o projeto integracionista, conquistaram direitos com o reconhecimento, por parte do Estado, da existência diferenciada desses povos, por ocasião da Constituição de 1988. E nós temos a convicção de que os povos se manterão resistentes e ativos na defesa de seus direitos e também saberão encontrar caminhos para vencer mais esse circuito de ataques frontais que estão sofrendo por parte do agronegócio exportador do país.
 
IHU On-Line – Diante do contexto político e de violência contra os indígenas, que saídas são possíveis no curto prazo para a proteção da integridade física e dos direitos desses povos sob ameaça no Brasil?
 
Cleber César Buzatto – Uma questão que é importante nessa direção é a visibilidade desse contexto, seja em âmbito nacional, seja em âmbito internacional, a ponto de que os organismos multilaterais tomem iniciativas concretas na perspectiva de cobrar do Estado brasileiro, que é signatário de uma série de instrumentos legais internacionais, que respeitem esses instrumentos e as próprias normativas do Estado brasileiro. Também, denunciar os acordos comerciais que o Brasil tem com outros países, seja da Europa ou da Ásia, demonstrando a esses países que esses acordos comerciais podem estar contribuindo para a violação de direitos humanos, indígenas e ambientais no país.

Com 23 processos Wanderlei Guenka quer assumir Saúde Indígena no Brasil

 Foto _ Fenando da Mata/G1 MS
Por Conselho Terena*
Em sua passagem pelo Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul (DSEI/MS), foi alvo de diversas queixas por parte de lideranças indígenas que denunciaram, repetidas vezes, a sua dificuldade em atender demandas nas comunidades indígenas e a sua notória incapacidade para administrar a Divisão de Atenção a Saúde Indígena. São 23 processos administrativos por improbidade administrativa e mesmo com a péssima reputação, o profissional da saúde deseja ocupar a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), que atualmente é administrada por Rodrigo Rodrigues.
O caso de maior gravidade, e que está vinculado a uma auditoria local, diz respeito ao contrato de Manutenção Preventiva e Corretiva de Equipamentos Odontológicos do DSEI/MS. O que se pode verificar é que o valor do contrato de manutenção é de R$ 1.240.000,00 e com este mesmo valor é possível adquirir todos os equipamentos novos, iniciativa que não aconteceu durante a gestão. Guenka passou a investir em serviços de manutenção com extremo gasto e injustificados, cujo impacto no orçamento comprometeu o atendimento outras necessidades e serviços. Contrato que sempre foi supervisionado por Wanderlei Guenka, na época chefe do DIASE/DSEI/MS. As informações são de acordo com os dados da Sesai, que levantou informações junto a Superintendência da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA), órgão no qual Wanderlei Guenka está lotado e reponde a um processo Administrativo Disciplinar, referentes a desvios milionários de recursos do estado do Amazonas.
Durante a gestão em 2008, como diretor da Saúde Indígena da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA), Guenka não foi capaz de resolver problemas como a morte de 10 crianças em apenas um mês, no Vale Javari. O fato foi denunciado pela Folha de São Paulo, no dia 22 de Julho de 2008. Dois casos noticiados pela imprensa também demonstram os graves problemas no atendimento prestado pelo DSEI/MS durante a gestão de Guenka. Em um deles, um adolescente indígena Kadiwéu precisou esperar por quatro meses para receber tratamento após quebrar o braço. 
Em outro caso, no dia 6 de janeiro, um menino menor que um ano de idade morreu no acampamento indígena Kurussu Amba, na região de Coronel Sapucaia, localizada a 400 quilômetros de Campo Grande. De acordo com o boletim de ocorrência, a Fundação Nacional do índio (FUNAI) solicitou ajuda ao órgão de saúde indígena, porém a ambulância não foi executar os atendimentos necessários, o que provocou a morte da criança no local. Em esclarecimentos, Guenka reconheceu que não houve uma assistência por parte do distrito, tendo  em vista a disponibilidade de viaturas no pólo de saúde administrado pelo DSEI/MS.
SUICÍDIOS
Enquanto Wanderlei Guenza estava a frente da Divisão de Atenção A saúde indígena de Mato Grosso do Sul, o relatório “Violência Letal Contra as Crianças e Adolescentes do Brasil”, publicado no dia 30 de Junho de 2016, aponta que em ao menos um município, 100% do total de suicídios entre indígenas ocorreu na faixa dos 10 e 19 anos. Dos 17 municípios com número igual ou superior a 10 mil crianças e jovens, critério para o levantamento, com alta densidade populacional indígena, 327 indígenas acima dos 20 anos se suicidaram, entre 2009 e 2013. Desse total, 163 crianças e adolescentes tiraram a própria vida. Em 2014, 135 indígenas cometeram suicídio em Mato Grosso do Sul. O maior número em 29 anos, conforme os dados levantados pela Sesai.
TRANSPORTES
A gestão de Wanderlei Guenka foi marcada por um aumento exponencial da terceirização dos serviços e dos servidores, o que inviabilizou o cumprimento da lei n˚ 8.666, de 21 de junho de 1993, que prevê que as licitações e contratos precisam ser feitos por servidores do quadro. Outro problema diz respeito a frota do Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul (DSEI/MS). De 208 veículos, apenas 35 estavam em condições de uso. O caso foi denunciado pela imprensa do estado. Porém, atendendo a denúncia o DSEI instaurou uma auditoria interna, que constatou por meio do sistema de transportes, que os veículos possuíam registros diários de abastecimento de combustível, como se a frota tivesse em pleno uso. A auditoria foi feita com o apoio dos Trabalhadores Públicos Federais em Saúde e da Previdência e Assinstência Social de Mato Grosso do Sul. O laudo foi entregue ao Ministério Público Federal (MPF),  para que tomem as providências cabíveis.
Todas informações disponíveis podem ser confirmadas mediante consulta pública e integram o processo de auditoria do Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul, denunciado pela imprensa e solicitado pelos profissionais da saúde indígenas que se recusam a trabalhar com recursos sucateados deixados por gestões passadas. Caso Wanderlei Guenka venha a ocupar a cadeira da Sesai, Edmilson Canale é indicado a assumir o papel de coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul (DSEI/MS), desconsiderando o pedido das comunidades, caciques e profissionais da saúde indígena em manter o atual coordenador.
GUENKA
Wanderlei Guenka, pertence ao quadro da Fundação Nacional de Saúde e ocupa o cargo de Odontólogo (Classe S, Padrão III, Matrícula no SIAPE n˚ 0473333), foi nomeado no dia 1˚ de outubro de 2014, para o cargo de chefe da Divisão de Atenção a Saúde Indígena, código DAS 101.2, n˚ 39.0213, do Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul, da Secretaria Especial de Saúde Indígena, Posteriormente foi exonerado do referido cargo, conforme a Portaria 707 de 13 de abril de 2016.
*Organização tradicional do Povo Terena
Todos contra a PEC 215!

 

20 de julho de 2016

Retomadas e a modalidade anti-olímpica do porrete (RJ)

Ash Ashaninka teve o braço quebrado
 no Museu do Índio
 _ Fotos  Katja Schiliró aqui
Por Bia Morais

Faltando apenas 16 dias para as Olimpíadas, onde o mundo estará de olho no Rio de Janeiro, a retomada da Aldeia Maracanã vai fazer, muito possivelmente, com que ambientalistas, ativistas e apoiadores da Causa Indígena vejam o modus operandi da Polícia Militar em reintegrações de posse, tendo como referência a violenta retomada do Museu do Índio, em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro.







Sem aprofundar no mérito da questão, e já entendendo que foi expedida uma liminar, o que é pontual em termo de reflexão é a orientação que foi dada na cadeia de comando, haja vista a tropa de choque da PM faz o que foi determinado. O que assistimos foi a modalidade do porrete, gás de spray e prisões. Até o advogado Aarão da Providência, da etnia Guajajara, que defendia os indígenas foi violentado no exercício da função, tendo sido preso e conduzido sem maiores explicações.  Ver momento em que o advogado foi preso e o que reza a Lei sobre a função social de um advogado  aqui.

 O clima já começou a ficar tenso com agressões à pauladas no último domingo dia 17. Não há informações oficiais de quem sinalizou para a ação - não foi PM - que resultou em indígenas com braços quebrados.  Um vídeo publicado nas redes sociais mostra que o confronto de domingo durou cerca de 20 minutos.  Ver vídeo de Neurivan Barros do momento das agressões.
 Ler matéria do Globo.
 

O que o governo Temer está fazendo com os indígenas? A terra da 'Garota de Ipanema' respondeu!  Sobre a Aldeia Maracanã
http://migre.me/uoMdr
http://migre.me/uoPsN

Assistimos em tempo real o ocorrido no Rio de Janeiro, mas timidamente no Mato Grosso do Sul, onde há um genocídio em curso, houve um massacre em Caarapó.  O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, sequer esteve lá.
(
http://migre.me/uoMj6 )
(
http://migre.me/uoMl5 )
(
http://migre.me/uoMmG)
(
http://migre.me/uoMKS )
Naquele estado a 'modalidade' tem sido tiro ao alvo com o saldo de um indígena brutalmente assassinado e vários feridos, inclusive, uma criança de 12 anos.
 O lamento e pedido de socorro é gritante, o sofrimento é diário. A líderança Valdelice Veron é o retrato desta dor e sofrimento. Guerreira incansável na luta pela sobrevivência do seu povo. http://migre.me/uoMId

http://migre.me/uoMJb

“O genocídio indígena acontece todos os dias não só na morte, mas na morte da cultura indígena” Lucas Vilar

Paralelamente aos ataques físicos, um dos aliados do presidente interino, o deputado racista Luiz Carlos Heinze dá a entender num pronunciamento  " que o ministro da Justiça Alexandre Moraes coaduna com as ideias expostas por ele aos ruralistas baianos. “A CPI da Funai/Incra está desmascarando esta gente. A PEC 215 vai  continuar e com o novo Ministro da Justiça vamos dar uma nova direção para todos estes casos (SIC)”. 

Resistência

O que o governo e aliados das bancadas BBB (Bala, Boi e Bíblia) não entenderam - será? - é que a Resistência segue fortalecida cada vez mais depois de cada ataque e omissão de quem  deveria fazer o uso da mão protetora do Estado. 


 O governo Temer precisa rever sua localização porque os parlamentares anti-indígenas não representam o descontentamento de um país que sangra NO CORAÇÃO INDÍGENA.

 Mesmo com a omissão da grande mídia, as redes sociais mostram diariamente o tratamento desumano, que fere os princípios da Carta Maior desde o direito à vida, até o processo demarcatório.

 O Art. 231, por exemplo, declara:

"São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens".
Os dois primeiros parágrafos desse artigo complementam:
§ 1º São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias a sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições.
§ 2º As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se a sua posse permanente, cabendo-lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes. Ler aqui.