3 de junho de 2014

A ação humana no território indígena é debatida em evento da Unesc


 “A expansão do agronegócio e de outros empreendimentos econômicos nos territórios indígenas do Brasil” foi o tema de abertura apresentado pelo professor doutor Clóvis Antônio Brighenti, pesquisador do Laboratório de História Indígena da UFSC
A história e a cultura indígena em Santa Catarina estarão em foco nos próximos dias na Universidade. Paralelamente a 9ª Semana do Meio Ambiente, que iniciou hoje (2/6), ocorrerá a 2ª Semana Indígena da Unesc (Universidade do Extremo Sul Catarinense), em Criciúma, que começará com a Mostra da Cultura Xokleng, amanhã (3/5) pela manhã, no Auditório Ruy Hülse.
A abertura oficial do evento será às 19 horas, no Auditório, com a mesa redonda “A expansão do agronegócio e de outros empreendimentos econômicos nos territórios indígenas do Brasil”, com o professor doutor Clóvis Antônio Brighenti, pesquisador do Laboratório de História Indígena da UFSC. O evento é aberto ao público em geral.
Ainda amanhã, às 14 horas, haverá o lançamento do livro “Era uma vez o Rio Mãe Luzia”, no Miniauditório do Bloco P (Sala 19). O professor doutor da Unesc, Carlos Renato Carola, e o historiador Nilso Dassi, autores da obra, participarão de um debate após o seu lançamento.
Na quarta-feira (4/5), último dia do evento, a programação incluirá a apresentação de um vídeo debate “À Sombra de um Delírio Verde”, às 14 horas, no Miniauditório do Bloco P. Após o vídeo, ocorrerá o Círculo de Cultura “História e cultura dos índios Xokleng em Santa Catarina”, com a liderança Xokleng, Copacam Tschucambang.
A 2ª Semana Indígena da Universidade é organizada pelo curso de História, Setor de Arqueologia e Cedoc (Centro de Memória e Documentação da Unesc). O evento tem o apoio do Conselho Indigenista Missionário, da Funai (Fundação Nacional do Índio) – Coordenação Litoral Sul, Cahel (Centro Acadêmico de História Edson Luís), UNA HCE (Unidade Acadêmica de Humanidades, Ciências e Educação).



Cacique Raoni começa giro pela Europa

Cacique Raoni aproveita a Copa do Mundo para fazer giro pela Europa.


RFI
O cacique Raoni inicia nesta terça-feira (3) um giro pela Europa. O chefe indígena aproveita a visibilidade do Brasil com a aproximação da Copa do Mundo de Futebol para tentar chamar a atenção dos europeus para a situação da Amazônia e dos nativos.

Raoni Metuktire desembarca em Paris para um giro organizado pela ONG Planeta Amazônia. O cacique continua a viagem por Bruxelas, Londres, Mônaco e Oslo. Encontros com autoridades locais já estão previstos em algumas das cidades. “A ideia é que os dirigentes europeus e brasileiros se comprometam durante o Mundial. Ir a Europa, onde Raoni sempre foi ouvido, é importante, pois há várias empresas europeias na Amazônia”, explicou em um comunicado Gert-Peter Bruch, presidente da ong.
Aos 84 anos de idade, o chefe dos caiapós desembarca na Europa 25 anos após ter se tornado mundialmente conhecido, quando fez um giro mundial ao lado do cantor britânico Sting. Na época, o cacique participou de uma campanha para a criação do Parque Nacional do Xingu. “Essa primeira viagem foi muito boa. Muita gente nos ajudou a obter a demarcação de nossas terras”, lembrou Raoni, antes de embarcar.
Os organizadores do giro do chefe indígena tentam beneficiar da visibilidade atual do Brasil durante o Mundial de futebol. “Espero que com a Copa as pessoas prestarão atenção nos índios da Amazônia e nos ajudarão”, disse o cacique. 

Cinta Larga: Grupo Clamor concorre a prêmio nacional em Brasília

O Clamor compreende uma parceria entre MPF e sociedade, buscando ajudar o povo indígena Cinta Larga




Nesta terça-feira, três de junho, às 16h na sala Juca Chaves, no complexo Brasil XXI, em Brasília, ocorrerá a solenidade do Prêmio República, da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR). A premiação é um reconhecimento por iniciativas que envolvem os trabalhos dos procuradores da República em todo o país. O Grupo Clamor (Cinta Larga: Amigos em Movimento pelo Resgate), formado por voluntários da sociedade civil em parceria com o procurador da República Reginaldo Trindade, concorre a um dos prêmios na categoria Índios e Minorias. 


“O povo Cinta Larga há muito sofre com a exploração de diamantes em suas terras. Considerando o forte ingrediente político da questão e o pouco resultado alcançado através dos instrumentos regulares de atuação (ações judiciais, recomendações etc.), o Ministério Público Federal (MPF) engendrou uma parceria com a sociedade, intitulada Grupo Clamor, através da qual tenciona romper com a história de omissão e indignidade contra aquele povo indígena”, diz o procurador Reginaldo Trindade. 

O grupo indígena habita terras localizadas nos estados de Rondônia e Mato Grosso e sofre com a exploração de recursos naturais (notadamente diamantes) de seu território. Há aproximadamente quinze anos, um quadro de grande violência se estabeleceu na região. Dezenas de pessoas, dentre índios e não índios, foram mortas. O Ministério Público Federal busca conter a exploração ilegal de diamantes, bem como assegurar os mais elementares direitos aos índios. Nesse esforço, 11 ações civis públicas e de improbidade administrativa foram ajuizadas, 11 recomendações foram expedidas, 161 reuniões feitas, milhares de ofícios expedidos etc. 

A partir de abril de 2013 foi iniciada uma parceria entre o Ministério Público Federal e a sociedade, através da qual se tenta inverter os rumos dessa história de violência contra a comunidade indígena. O Grupo Clamor foi criado em uma audiência pública realizada em abril de 2013, na presença de mais de duzentas pessoas. Desde a sua criação, o Grupo Clamor tem se reunido regularmente para pensar estratégias e definir ações. 

Dentre os resultados já alcançados estão as realizações de duas audiências públicas. A primeira com o governador de Rondônia e grande parte de seu secretariado, parlamentares estaduais e federais, membros do Poder Judiciário e do Ministério Público (federal e estadual) e representantes de diversas instituições públicas e particulares. A segunda audiência pública ocorreu no Senado Federal – por iniciativa do senador Acir Gurgacz e que teve a presença do ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República, e representantes da sociedade civil em geral. 

Outro resultado alcançado foi a realização da 1ª Ação Social Cinta Larga, com a participação de 22 instituições federais, estaduais e municipais, públicas e particulares, na qual houve os indígenas foram beneficiados com 641 documentos expedidos (certidão de nascimento, carteira de identidade e de trabalho, entre outros); 48 inscrições em benefícios previdenciários e sociais; 224 orientações sobre programas sociais do governo federal; 1400 atendimentos de saúde (consultas médicas e odontológicas, vacinações, exames), além de mais de mil aplicações de medicamentos. 


 Fonte: MPF/RO (www.prro.mpf.gov.br)

2 de junho de 2014

SENADORA KÁTIA ABREU


Acometida pela `Vaca Louca`? 

Inimiga ferrenha dos indígenas agora é `amiga` em véspera de copa e eleições



Foto _ Tocantins 247
Tocantins 247 - A senadora Kátia Abreu (PMDB), que preside o sistema de entidades ruralistas CNA/FAET/SENAR, vem intensificando contato com comunidades indígenas do Tocantins. Kátia quer se livrar do estigma de inimiga dos povos de minoria, que podem representar ameaça à expansão do agronegócio no Brasil. Depois de entrar em campo com apoio decisivo dentro do governo federal para Palmas sediar os Jogos Mundiais Indígenas, que acontecerão em junho de 2015, a senadora vem realizando ações de saúde preventiva de câncer de colo de útero e também de próstata em aldeias no Tocantins. 
A mais recente ação do projeto Útero é Vida, aconteceu nesse sábado, 31, numa comunidade de famílias indígenas da etnia Apinajé, em Tocantinópolis. Acompanhada do filho, o deputado federal Irajá Abreu (PSD) e do deputado estadual José Bonifácio (PR), Kátia Abreu ouviu as demandas dos índios e deu garantias de que, em parceria com o Governo Federal, vai trabalhar, incansavelmente, para que essa realidade mude o mais rápido possível. 
"É desumano ver o que estão fazendo com nossos índios. A Funai esquece que todo cidadão precisa de educação, saúde e possibilidade de trabalho e renda, mas enquanto isso tenta isolar o índio e cercear seus direitos básicos. Vamos acabar com descaso", reafirmou a senadora, lembrando que, na semana passada, esteve em Tocantínia com os índios Xerentes e as reclamações eram as mesmas, numa demonstração de que o descuido com a população indígena é generalizado em todo o Tocantins. Kátia Abreu finalizou o encontro disponibilizando todos os cursos profissionalizantes do SENAR às famílias dos índios Apinajé.
Emílio Apinajé, ao entregar à senadora Kátia Abreu o cocar da aldeia como forma de respeito, consideração e confiança no trabalho da parlamentar, apresentou algumas prioridades de sua comunidade, como a reforma da escola estadual e a construção da quadra de esportes; ações básicas de saúde, transporte e recuperação das estradas vicinais. "Estamos todos revoltados senadora, porque simplesmente querem isolar nosso povo do resto do Tocantins e nos tratam com indiferença e desprezo. Nossas crianças morrem por falta de remédios. Nossos filhos não têm direito a uma educação de qualidade. Nós não podemos mais permitir sermos tratados dessa forma", desabafou o líder indígena. Ler original AQUI!

NOTA

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GOL PRESO NA GARGANTA



Por Tereza Amaral 



Em meio a chuviscos da imagem na televisão nossos coracões gritavam a cada gol. Pelé, Rivelino, Tostão...Gérson e o comercial que consagrou a sua lei...levar vantagem em tudo. 
Década de 70, em plena ditadura militar, com apenas nove anos de idade passei a viver a Copa. Os anos passaram, os comerciais de cigarro são proibidos, mas a lei de Gérson endureceu com o agronegócio. "Sinto muito Seleção... Assistam ao vídeo AQUI!

Fotos das etnias Asurini e Kayapó por Alice Kohler

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ENTREVISTA

“Quem está subvertendo a ordem é o próprio

 Congresso, em um plano de extermínio dos

povos indígenas. O Congresso Nacional quer 

acabar com as Terras Indígenas”

Sônia Guajajara


A liderança Sônia Guajajara, integrante da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e coordenadora do Protesto que ocorreu no Supremo Tribunal Federal, em Brasília, concedeu a seguinte entrevista a Luciana Gaffrée, Re-Uita:

RU- Sônia, qual é o foco dessas manifestações que estão acontecendo nessa sema em Brasília?


Nosso foco é um só: A violação de nossos direitos. Você sabe que há uma regressão e um ataque do Congresso Nacional aos direitos indígenas, colocando em foco diretamente a questão da terra. Há uma paralisação da demarcação das terras indígenas. É importante dar a maior visibilidade possível para esta gravíssima questão.


Todas as PECs que estão tramitando no Congresso caminham no mesmo sentido, negar as terras aos povos indígenas, mudar a Constituição e legalizar a exploração das terras em solo indígena, pelos ruralistas, pelo agronegócio, pelas mineradoras.


Todas as medidas que estão no Congresso Nacional, seja por meio de PEC ou de PL, possuem este foco, tomar as terras indígenas. Acabar com este direito. 
RU-E por quê?

Porque no Brasil o que realmente está acontecendo é um interesse econômico fortíssimo, e como não há mais nenhuma terra pública para a produção o que eles estão enxergando para fazer crescer o país são as terras indígenas, para utilizá-las para a produção em nome do capital.


Estamos num momento muito complicado, e essa luta é para manter os nossos direitos e estamos sendo muito criminalizados por isto. Muitas lideranças indígenas estão sendo presas, em suas regiões, porque estão lutando pela terra.


E aí temos que vir até Brasília para denunciar essa situação, e enfrentar uma polícia truculenta. Levaremos ao Congresso seis indígenas feridos a bala, por causa das repressões contra a nossa manifestação.


Além dos seis indígenas, um fotógrafo da Reuters e um padre também foram feridos durante o ataque da polícia.


RU-O que você tem a dizer sobre a criminalização dos povos indígenas?


A situação hoje é bem grave. Temos várias lideranças indígenas presas, acusadas de formação de quadrilha, quando na verdade estão lutando em suas terras, sendo acusadas de crimes, como sequestro e roubo, e criminalizadas sem provas.


Os próprios deputados usam a mídia para incitar a violência contra os povos indígenas.  Ontem, nós entramos com uma queixa-crime no Supremo Tribunal Federal (STF) contra dois deputados, por terem feito discursos agressivos incitando violência contra os povos indígenas.


E nós cobramos um posicionamento do STF, em relação a esta postura dos deputados. Já que eles enquanto representantes parlamentares do povo não podem se utilizar desse lugar para intensificar os conflitos no campo.

A República dos Ruralistas

RU- Em sua opinião há uma articulação dentro do governo?


Claro! Todos os poderes, Legislativo, Executivo e Judiciário estão articulados contra os direitos indígenas. O Judiciário em sua lentidão demora muito e nunca conseguimos ver nossas terras demarcadas.


O Executivo porque se alia ao Legislativo, já que ambos têm interesses em comum. E o interesse é também de campanha, porque o agronegócio é o que acaba financiando as campanhas eleitorais.


E com isso a aliança entre eles é muito forte dentro do Congresso. Os deputados são eleitos com esse dinheiro, e esses três Poderes que estariam para garantir os direitos da população e a democracia, o que fazem é se aliar ao Poder Econômico dos Ruralistas.


E aliada a eles, não podemos nos esquecer, está a Grande Mídia. Porque a mídia praticamente é toda de políticos que querem jogar para a população uma versão diferente da realidade, para gerar na sociedade uma ideia errada sobre as lutas dos povos indígenas do Brasil. E a população fica desinformada.


RU- O que você gostaria que a população soubesse?


Que estamos lutando pelos nossos direitos, pela nossa existência enquanto povos, pela nossa sobrevivência, buscando visibilidade, ser escutados, e avisar ao mundo que nossa luta não é por privilégios, é por direitos. Simplesmente isso. E outros movimentos já estão se unido a nós, entre eles o MST, os quilombolas e os extrativistas.


É importante alertar que quem reverteu tudo não fomos nós. Quem está subvertendo a ordem é o próprio Congresso.


A população precisa abrir os olhos e entender que o que existe hoje é uma República Federativa Ruralista do Brasil, e por isso criamos o site A República dos Ruralistas, para denunciar esse absurdo incontestável, quem hoje manda, legisla e dirige a política no Brasil são os ruralistas, seja na bancada ruralista, seja fora dela.

Foto: 
Reprodução/Cimi

1 de junho de 2014

LUTO: O GUERREIRO AUGUSTO KAINGANG PARTIU...

Augusto se destacou pela  perspicácia política diante das autoridades públicas que constantemente tentavam  convencer as lideranças indígenas a negociarem seus direitos constitucionais (especialmente o direito a terra), e a aceitarem a troca de áreas tradicionais por áreas compradas pelo governo.
 Augusto era um líder respeitado, um “tronco velho”, e sua firme posição em defesa da terra mobilizou e encorajou o povo Kaingang a continuar na luta.


Imagem Google _ Autoria desconhecida

Leia matéria na íntegra do CIMI AQUI!