27 de julho de 2016

Kaingang iniciam autodemarcação da TI Rio dos Índios, em Vicente Dutra (RS)

 
Kaingang enterra marco da autodemarcação da TI Rio dos Índios _ Fotos Cimi
 
 
Depois de bloquearem a rodovia RS 150 durante toda a terça-feira (26), a comunidade Kaingang da Terra Indígena (TI) Rio dos Índios (Kanhgág Ag Goj, em Kaingang) partiu, na manhã desta quarta-feira, 27, para a autodemarcação de seu território tradicional, já reconhecido, identificado e declarado e aguardando a homologação desde 2004.
 
A polícia está na área e acompanha a movimentação dos indígenas. Pela manhã, os indígenas bloquearam as duas vias de acesso à comunidade; ocuparam uma nova área dentro do território tradicional, onde fizeram um ritual pela manhã e onde já estão erguendo casas.
 
Afirmam que não tiveram nenhuma resposta para a mobilização de ontem e que, se o governo não se manifestar hoje, eles permanecerão no espaço, realizando a ocupação permanente da área e avançando sobre o restante do território. Os Kaingang exigem ainda que os pequenos agricultores sejam indenizados e o Incra faça o reassentamento.
 
"A cada dia que passa, vamos avançar. Se o governo não der sinal de resolver a questão, nós vamos fazer a demarcação por nossas mãos. Não vamos esperar mais 30 anos. A pressa é do governo agora, e se houver qualquer conflito, a culpa é deles; nós já esperamos demais. Já estamos levantando as casas nesse outro pedaço do território que estamos ocupando agora", afirma Luís Salvador, cacique da TI Rio dos Índios.
 

26 de julho de 2016

DSEI-MS: Exoneração de Lindomar Ferreira não passou por análise do Ministério da Saúde

Segundo lideranças, a troca foi feita pela Casa Civil atropelando o Ministério da Saúde. Neste momento líderes estão em reunião a portas fechadas na sede do órgão.
 
Fotos _ Conselho do Povo Terena

 
Conselho do Povo Terena
com Tereza Amaral
 
Após 24 horas de espera, uma comissão de lideranças está neste momento reunida, a portas fechadas, com representantes da Casa Civil  e o ministro interino da Saúde, Ricardo Barros, na sede do órgão, em Brasília.
 
Em reunião anterior com o   Secretário de Saúde Indígena (Sesai), Rodrigo Rodrigues, membros do Condisi-MS, Conselhos do Povo Terena, Aty Guasu, do Povo Kinikinau e representantes do Conselho Nacional de Política Indigenistas (CNPI)  exigiram  uma explicação sobre a nomeação de Edmilson Canale, ontem, ocupando o cargo de Lindomar Ferreira no Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul (DSEI-MS).
 
Segundo lideranças, a troca foi feita sem consulta ao Ministério da Saúde. Rodrigo Rodrigues declarou que não estava sabendo da substituição e "iria buscar informações concretas, tendo em vista que a decisão surgiu da Casa Civil sem passar por análise do Ministério de Saúde".
 
Surpresa
 
Os líderes foram pegos de surpresa e ocuparam a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), em Brasília, exigindo a revogação da portaria de exoneração de Lindomar Ferreira, uma vez que a ida à capital federal foi para protestar contra a municipalização da saúde indígena e entregar documento de repúdio contra Wanderlei Guenka, cujo nome está cotado para assumir cargo na Sesai.
 
Guenka responde, segundo o Conselho do Povo Terena, a 23 processos por improbidade administrativa em sua passagem pelo Dsei do Mato Grosso do Sul. Ler  aqui. 

Sem ouvir os membros dos conselhos indígenas do Mato Grosso do Sul, o governo substituiu Lindomar Ferreira, nomeando Edmilson Canale que é aliado político da deputada estadual ruralista Mara Caseiro (PSDB).


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>Indígenas ocupam Sesai exigindo revogação de portaria e contra a municipalização da saúde 



 

Indígenas ocupam Sesai exigindo revogação de portaria e contra a municipalização da saúde

 
 
Caciques e lideranças dos povos Terena e Guarani e Kaiowá ocuparam no fim da tarde desta segunda-feira, 25, o primeiro andar do prédio do Ministério da Saúde, em Brasília (DF). Os indígenas afirmam que só dissolverão a ocupação após o ministro da Saúde revogar portaria de exoneração de Lindomar Terena do cargo de coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.
 
A ocupação reivindica também a revogação da portaria que nomeou Edmilson Canale para o cargo do Terena. De acordo com os indígenas, Canale possui relações estreitas com a deputada estadual ruralista Mara Caseiro (PSDB). “Estávamos vindo para Brasília na verdade para protestar contra a proposta de municipalização da saúde indígena quando fomos pegos de surpresa pela notícia de que estavam tirando o Lindomar”, explica Getulio Juca Guarani e Kaiowá, da Reserva Indígena de Dourados.
 
O Terena foi levado ao posto de coordenador do DSEI por força de organizações indígenas dos povos do Mato Grosso do Sul, caso do Conselho do Povo Terena, a Aty Guasu, Grande Assembleia Guarani e Kaiowá, e o Conselho do Povo Kinikinau. Houve polêmica, no entanto. Durante dois dias, lideranças Terena, Guarani e Kaiowá, Kadiwéu, Ofaié e Kinikinau discutiram e Lindomar seguiu como o coordenador. A decisão do governo pela exoneração, segundo as lideranças presentes na ocupação, desconsidera as instâncias de decisão destes povos.
 
A comitiva de indígenas levou ainda uma moção de repúdio contra o nome de Wanderlei Guenka, que almeja assumir cargo na Secretaria Especial e Saúde Indígena (Sesai) - o sujeito responde a 23 processos por improbidade administrativa na passagem pelo Dsei do Mato Grosso do Sul. “A caravana do Mato Grosso do Sul veio reforçar e trazer nossas demandas até Brasília, e para nossa surpresa, na metade do caminho, fomos surpreendidos que ocorreu a exoneração do companheiro Lindomar. Isso fez com que o grupo se mobilizasse de uma forma mais radical, e agora nosso propósito é buscar a revogação da outra nomeação e a volta de Lindomar”, explica o cacique Genivaldo Campos Terena, da aldeia Córrego do Meio, município de Cidrolândia.
 
 
"Vínhamos buscar o diálogo com o governo, mas fomos pegos de surpresa, e isso caracteriza que o governo não quer o diálogo com a população indígena, não tem respeito pela população indígena, e por essa e outras razões decidimos ficar aqui. Fechamos aqui, queremos ter essa fala com o ministro da Saúde, e enquanto não tivermos, não vamos nos deslocar. Se ele que fez esse alvoroço todo, ele que venha aqui nos dizer quais as reais razões da exoneração do Lindomar. Queremos uma resposta do governo”, afirma cacique Genivaldo Terena.
 
Municipalização da saúde indígena
 
"A população indígena é totalmente contrária a essa ideia da municipalização, pois nós não somos bem atendidos pelos municípios onde vivemos. Eles dizem que quem cuida de índio é a Funai, então, não vão cuidar da saúde, ter a capacidade de gerenciar isso”, destaca cacique Genivaldo. E essa pauta também está acoplada à ocupação. As lideranças e caciques querem conversar com o ministro da Saúde Ricardo Barros para o regresso às aldeias com alguma garantia de que a municipalização não irá ocorrer.
 
"Estamos trazendo a nossa dificuldade de todas as aldeias do Mato Grosso do Sul, pois precisamos do apoio daqui na questão da saúde. Nossa situação está muito precária”, diz Getulio Guarani e Kaiowá. O indígena afirma que ainda anão ouviu um parente ao menos falar a favor da municipalização. Getulio destaca que os problemas de acesso à água e ao atendimento de saúde não serão resolvidos pelo município; ao contrário, deverá piorar: se para a população não-indígena esses problemas não são resolvidos, imagina para os povos indígenas alvos de preconceito e racismo nas regiões.
 
De Yvy Katu, a Guarani Leila Rocha denunciou a falta de estrutura da Sesai - uma única ambularia atende a cinco áreas indígenas no cone sul do estado. “Não podemos aceitar que a Sesai nos desrespeite assim: fala em municipalização da saúde sem consultar os indígenas, exonera o parente Lindomar sem passar por nenhuma instância dos nossos povos”, se revolta Leila Guarani.
 
A agenda dos indígenas na Sesai estava marcada para às 14h, mas somente três horas depois as lideranças foram atendidas. Cerca de uma hora depois, o chefe de gabinete do Ministério da Saúde, Roberto Vanderlei Rebello Filho, recebeu os indígenas e protocolou o recebimento de uma carta escrita pelos caciques e lideranças com as reivindicações. Os presentes frisaram ao chefe de gabinete que se nenhuma medida for tomada pelo Ministério da Saúde, mobilizações mais intensas ocorreriam envolvendo a pauta reivindicatória. A noite só estava começando.

25 de julho de 2016

Povo Ka'apor pede providências quanto ao sequestro de jovem por madeireiros e afirma seguir com guarda



Assessoria de Comunicação - Cimi

"A gente não aceita que o governo mande e controle a gente. Governo quer destruir nossa organização e o nosso jeito de proteger a Floresta. A gente não aceita”. Essas são as palavras das lideranças Ka'apor, do Maranhão, ao governo federal. A revolta dos indígenas ainda é maior porque Iraúna Ka'apor segue sob o cárcere de madeireiros, que a sequestraram, há mais de dois meses, durante invasão à aldeia em que a jovem de 14 anos mora.
 
Em carta dirigida às autoridades públicas, os Ka'apor dizem: “Lutamos sozinhos durante esses anos, enfrentamos e expulsamos madeireiros. Por causa disso, mataram 5 lideranças, agrediram e atiraram em nossos guardas florestais, invadiram duas aldeias, madeireiros sequestraram Iraúna Ka’apor”.
 
Diante das tentativas da Fundação Nacional do Índio (Funai) de destituir a Guarda Florestal Ka'apor, alegando que ela gera represálias contra as aldeias, os indígenas são taxativos: seguirão protegendo a Terra Indígena Alto Turiaçu na medida em que o governo federal não o faz.
 
Leia a carta na íntegra:
 
“Não aceitamos ser tutelados, estamos organizados....Respeitem nosso jeito de ser, viver e se organizar em nossa casa, nosso território e proteger nossa floresta”
 
Nós povo Ka’apor sabemos cuidar, viver e proteger nosso território, cultivamos a vida e fazemos isso a mais tempo do que os livros dos Kamara contam. Fazemos a nossa parte, mas o governo ainda não fez a parte dele. Ficamos ameaçados se o governo não faz a parte dele e ainda fica interferindo em nossa organização e não respeita nossos direitos. 
 
Por isso a gente quer falar um pouco para o Brasil o que acontece com a gente, por que lutamos e não aceitamos mais ser mandado e controlado pelo governo.
 
A Terra Indígena Alto Turiaçu é uma pequena parte do grande território que a gente vivia antes ser invadido, tomado a força da gente, perseguindo e matando nossos parentes, e o
governo nem consultou a gente. Por isso que a gente continua lutando pra não perder o que temos.
 
Lutamos sozinhos durante esses anos, enfrentamos e expulsamos madeireiros. Por causa disso, mataram 5 lideranças, agrediram e atiraram em nossos guardas florestais, invadiram duas aldeias, madeireiros sequestraram Iraúna ka’apor, estão ameaçando matar mais de 8 lideranças e apoiadores de nossa luta em defesa de nosso território. Tudo isso denunciamos para os órgãos do Estado, para Funai, IBAMA, para Policia Federal, MPF em São Luís e para relatora da ONU em Brasília.
 
Agora nossos inimigos não conseguem entrar com tratores, jericos, motosserras, caminhões, atirar na gente. Estão usando funcionários da Funai e de outros órgãos do governo do Estado para dividir nossas lideranças, tirar nossa atenção de proteger nosso território, acabar com nossa organização e jeito de proteger nosso território. Eles estão fazendo reuniões, falam mal de nossa organização, querem tirar Itahu Ka’apor da CTL Zé Doca, acabar como nosso Conselho de Gestão Ka’apor, tomar e controlar nossa associação, afastar nossos apoiadores e parceiros, prometendo dar estrutura para aldeias e mudar o jeito de trabalho dos Ka’apor. Eles deveriam seguir o que o juiz mandou que é criar bases de vigilância e fiscalização em nosso território, prender os assassinos que mataram nossos parentes esses anos, investigar o sumiço de nossa parente Iraúna Ka’apor, dar condições para os Kamara que moram perto de nosso território viverem bem para não explorar nosso território.
 
Desde 2009 a gente vem organizando nossa educação, saúde, assistência, protegendo com mais força nosso território e melhorando nossa alimentação. Em dezembro de 2013, em nossa assembleia, decidimos voltar nossa forma tradicional de se organizar, decidir, proteger nosso território e viver sem ameaçar e destruir a floresta. Criamos o Conselho de Gestão Ka’apor que representa nossos antigos TUXÁ. Nossos Tuxá são guerreiros, guardam nossos costumes, nossa cultura original, trabalham para nosso povo servindo e protegendo nossa cultura e território. Nessa assembleia escolhemos um grupo de lideranças. A gente vem acompanhando o trabalho de todos.
 
Criamos um Acordo de Convivência interno que diz que nosso povo, nossas lideranças não podem falhar com nossa cultura e adotar a cultura, costumes dos Kamará que enfraquece nossa cultura, nossa vida e ameaça nosso território.
 
Não vamos aceitar que essas pessoas que chegaram no final do ano passado destruam nosso trabalho e organização que construímos com suor, muita luta pra melhoria de nossa vida. Assim como não aceitamos os ataques contra nossos parentes Guarany Kaiowá, Tupinambá, Munduruku, Pataxó Hãhãhãe, Gamela e outros.
 
Nosso Conselho de Gestão Ka’apor visitou, consultou e reuniu com a maioria dos conselhos das aldeias e todos decidiram que:
 
1. O nosso Conselho de Gestão Ka’apor quem escuta e decide pelo nosso povo;
2. Manter e continuar criando Conselho nas Aldeias;
3. Manter e ampliar nossa Guarda Florestal Ka’apor;
4. Manter e ampliar nossos Ka’a usak ha ta – Áreas de Proteção Ka’apor com sistemas solares;
5. Manter e ampliar nossos Agentes Agroflorestais Ka’apor;
6. Manter e ampliar nossas experiências de Agrofloresta Ka’apor em nossas áreas de Proteção valorizando nossa cultura tradicional para a criação de nossa Ma’e Hain rok (Casa de Sementes);
7. Manter nosso Centro de Formação Saberes Ka’apor como espaço de Educação e Formação Ka’apor;
8. Manter nosso jeito de Educar e organizar como orienta nosso Projeto Pedagógico e Curricular Ka’apor;
9. Manter e maior respeito aos nossos Gestores de Educação Ka’apor;
10. Manter nossa participação na Gestão de nosso Polo Base de Saúde Indígena com orientação de nosso Pajés;
11. Manter Itahu Ka’apor na Coordenação Técnica Local e Gestor em nossa Assistência Social; Manter as parcerias e apoios na educação, saúde e proteção territorial;
 
Manter a gestão territorial e ambiental pelos Agentes Agroflorestais e Guardas Florestais Ka’apor.
Não aceitamos que funcionários do governo mande, controle, divida e destrua nosso povo e nossa organização.
 
Não aceitamos nenhum golpe! Vamos continuar lutando em defesa de nossa autonomia, floresta e território!
Aldeia Ximborenda, 17 e 18 de julho de 2016.
Conselho de Gestão Ka’apor.
Conselho da Aldeia Ximborenda,
Conselho da Aldeia Waxiguirenda,
Conselho da Aldeia Zé Gurupi,
Conselho da Aldeia Bacurizeiro,
Conselho da Área de Proteção Jumu’eha renda Keruhu ou Centro de Formação Saberes Ka’apor,
Conselho da Área de Proteção Ywyãhurenda,
Conselho da Área de Proteção Ypahurenda,
Conselho da Área de Proteção Jaxipuxirenda,
Conselho da Área de Proteção Eirhurenda,
Conselho da Área de Proteção Akadju’yrenda,
Lideranças Aldeia Capitão Mirá,
Lideranças Aldeia Piquizeiro,
Lideranças Aldeia Cumaru,
Lideranças da Área de Proteção Tawaxirenda.

LUTO! Jovem Terena da aldeia Limão Verde (MS) morre atropelado ao voltar do futebol; motorista foge sem prestar socorro

Por João Humberto em Campo Grande News
 
O indígena Nikini Douglas Nelson Moraes, de 19 anos, morreu atropelado neste domingo (24), às 18h40, quando voltava de uma festa para a casa localizada na aldeia Limão Verde, em Amambai. O acidente aconteceu no km 238 da MS-156, sendo que o motorista fugiu sem prestar socorro à vítima.
 
Conforme informações do boletim de ocorrência registrado na Delegacia de Polícia Civil de Amambai, Nikini morreu de traumatismo craniano. Testemunhas relataram a policiais que o índio estava cruzando a rodovia quando foi atropelado por automóvel de cor preta, que trafegava no sentido Tacuru-Amambai.
 
Não há informações sobre o modelo do veículo que atropelou o indígena e nem se o motorista é homem ou mulher. No site A Gazeta News há a informação de que Nikini retornava de torneio de futebol realizado numa comunidade rural perto da aldeia.
 
Equipes da Polícia Civil e da PRE (Polícia Militar Rodoviária Estadual) estiveram no local do atropelamento realizando os levantamentos de praxe.
 
NOTA
 
Este Blog alterou título, mantendo matéria na íntegra. Ler original aqui.

Índio usa arte em exposição para alertar sobre a exploração da AM

 
Obras expostas tentam despertar público para a preservação da floresta. Artista indígena afirma que levará mensagem para todo o país.



 A exposição de Jaider Esbell  ficará aberta na UFPI até
 o dia 31 de julho. Foto _ Arquivo Pessoal

Do G1 PI
 
Uma exposição aberta no Centro de Ciências da Educação (CCE) da Universidade Federal do Piauí (UFPI) tenta chamar a atenção das pessoas para os processos de exploração e degradação da região Amazônica através de obras de arte. As peças são confeccionadas e expostas pelo índio Jaider Esbell, da etnia Makuxi e natural de uma comunidade na reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima.
 
A UFPI é a segunda universidade do Nordeste a receber a exposição, que deve percorrer todo o país após passar pelo Piauí. Ao todo são 16 peças com mensagens que permitem ao público ativar a imaginação e refletir sobre a importância da preservação da Amazônia. A exposição é intitulada de “It Was Amazon - Era uma vez Amazônia”.
 
Exposição em Teresina reúne 16 peças do autor
indígena _  Foto Gustavo Almeida/G1




 
Em entrevista ao G1, Jaider Esbell disse que sua relação com a arte vem desde a infância e que sempre procurou defender a preservação da natureza e dos povos indígenas. Ele saiu da comunidade onde nasceu, a 200 km de Boa Vista, quando tinha 18 anos, fez curso superior e especialização, mas conta que sempre manteve uma relação de fidelidade com suas origens.
 
“Essa minha relação com arte começou ainda quando eu tinha seis anos, na minha comunidade. Eu vivo a plenitude na natureza e a vida saturada da cidade. Minha mensagem é um trabalho de conscientização sobre essa exploração generalizada da Amazônia e tenta mostrar que esse é um problema que impacta diretamente na sociedade. Todo mundo diz que ama a Amazônia, mas nada fazem”.
 
Peças tratam sobre a exploração da Amazônia, diz autor (Foto: Gustavo Almeida/G1)
Peças tratam sobre a exploração da Amazônia, diz autor_ Foto Gustavo Almeida/G1)
 
Foto Gustavo Almeida/G1
A conturbada relação do desenvolvimento com a agressão à natureza é bastante abordada pelo índio artista plástico. No espaço onde ocorre a exposição, algumas frutas foram colocadas para lembrar a valorização da agricultura familiar diante da expansão desenfreada da produção agrícola nas terras amazônicas. Segundo ele, um dos objetivos é justamente causar impacto e despertar o sentimento de que algo precisa ser feito.  
 
“Eu busco proporcionar a socialização através da arte. Em muitas pessoas a gente percebe o impacto e o semblante de perplexidade e um dos objetivos é exatamente fazer com que a pessoa se veja como um agente potencial transformador dessa realidade. Hoje em dia as pessoas estão entrando em parafuso muito rápido e nós só vamos melhorar quando melhorarmos nossa relação com o dinheiro”, falou.
 
 Quem visita a exposição confessa que as obras de arte realmente despertam a imaginação e chamam atenção pela forma como transmitem a mensagem ao público. A piauiense Elizete Lopes, formada em artes na própria UFPI, ficou encantada com a riqueza de detalhes nas obras de Jaider Esbell. Ela levou a sobrinha que também se encantou com as peças.
 
Elizete Lopes conferiu a exposição na UFPI
Foto _ Gustavo Almeida/G1
“É muito válido essa perspectiva dele de mostrar essa problemática através da arte. A mensagem transmitida é muito legal. Esse tipo de exposição é muito bom porque além da gente se enriquecer com o trabalho do outro, ainda ganhamos uma nova visão. É uma pena que nem todos têm essa consciência. Se pudesse eu ficaria aqui o dia inteiro”, afirmou.
 
 Além de artista plástico, o índio Jaider Esbell é geógrafo, especialista em meio ambiente, escritor e produtor cultural. Em 2016 ele abriu mão do emprego no qual era concursado em Roraima para se dedicar exclusivamente às obras de arte e continuar levando sua mensagem para o país. Esbell foi indicado ao Pipa 2016, considerado o mais relevante prêmio brasileiro de artes visuais.
A exposição It Was Amazon ficará aberta na UFPI até o dia 31 de julho. Leia matéria original aqui.

Amazônia Legal em Foco - TA

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