2 de junho de 2013

Aty Guasu: Reunião com CNJ

Foto  Índia Terena_ Agência Brasíl
Leia Nota na íntegra!


Esta nota da comissão da Assembléia Geral Guarani-Kaiowá Aty Guasu visa socializar com todas as sociedades nacionais e internacionais, as posições e decisões dos três povos indígenas do Mato Grosso do Sul (Terena, Guarani-Kaiowá, Kadweu) as quais foram apresentadas ao representante do Conselho Nacional de Justiça CNJ, juiz Rodrigo Rigamonte.

Nós lideranças da Aty Guasu Guarani-Kaiowá juntamente com as lideranças Terena e Kadweu, entregamos várias reivindicações e demandas urgentes ao juiz Rodrigo, as nossas demandas urgentes são destinados ao Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Ministro Joaquim Barbosa e a Presidenta da República do Brasil Dilma Rousseff.


Em primeiro lugar, demandamos com urgência uma audiência com o Presidente da República do Brasil e também com o Presidente do Supremo Tribunal Federal, para isso, damos um prazo de 15 dias para agendar uma reunião com as lideranças indígenas do Mato Grosso do Sul. Decidimos paralisar o movimento de retomada por 15 dias e aguardamos as respostas da Presidente da República e do Ministro Joaquim Barbosa.
A seguir, destacamos os resumos dos documentos entregues ao juiz Rodrigo no seio da reunião ocorrida hoje (01/06/2013) no Tribunal da Justiça do Mato Grosso do Sul.

Relatamos ao juiz Rodrigo que aqui no Estado de Mato Grosso do Sul, existem terras indígenas tradicionais reconhecidas pelo governo federal em meados de 1980, 1990 e 2000 já declaradas como terras indígenas, que Ministério da Justiça e o Presidente da República já conferem direito ao usufruto das terras aos indígenas, por Portaria do Ministro da Justiça publicada no Diário Oficial da União. 


Essas terras já foram homologadas como Terras Indígenas pelo Presidente da República. Mas até o momento (decorridos já mais de uma década da homologação) nós indígenas não usufruímos das partes das nossas terras homologadas pelo presidente da República, mas os fazendeiros continuam os explorando. 

A informação é de que a homologação das terras indígenas pelo presidente do Brasil encontra-se parcialmente suspensa por liminar do Supremo Tribunal Federal (STF), sem previsão de data para o julgamento final, de mérito. Em decorrência de não julgamento pelo STF, nós indígenas sofremos diversas violências, sobretudo as ações de genocídio do século XXI, promovidas pelos fazendeiros que perdura até os dias de hoje.

Explicitamos ao juiz Rodrigo que não devolução das terras indígenas, os atrasos e omissões inexplicáveis por parte do governo e da justiça federal violam legislação e direitos fundamentais de nossos indígenas inscritos na Constituição Federal, na legislação infraconstitucional inscritos em Acordos e Pactos Internacionais dos quais o Brasil signatário, como a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, a Convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos – ONU, o Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais – ONU, e a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (OEA). 

Relatamos que no Estado de Mato Grosso do Sul, há hoje:
* a paralisação do procedimento administrativo de demarcação das terras indígenas tradicionais reivindicados há mais de (03) três décadas pelos indígenas.
* o encurralamento das várias comunidades indígenas em pequeno espaço de terras que há já declarados como de posse permanente do grupo indígena.
*a discriminação pública, racismo e estigma que sentimos diariamente e sofrem as comunidades no pequeno espaço de terra.
*a degradação ambiental dos territórios indígenas já declarados dos indígenas que gera a fome, a miséria, tornando as comunidades totalmente dependentes das famigeradas cestas básicas, sem que o poder público, concomitante e efetivamente desenvolva políticas estruturantes que lhes garanta a subsistência e vida com dignidade.

Relamos ao juiz Rodrigo que aqui no Mato Grosso do Sul, existem o genocídio indígena em curso que foi e é alimentado pelos fazendeiros. Os assassinos das lideranças indígenas não são punidos, a impunidade alimenta as violências contras os indígenas do MS. Há os crimes de ameaças e assassinatos de lideranças pelos pistoleiros das fazendas (sem investigação e punições conclusivas os responsáveis.)
Há as omissões, negligências e ausências (verdadeiro quadro, na verdade, de desassistência) de políticas públicas elementares e básicas, nas áreas da produção de alimentos, de saúde, de educação, ambientais e sociais (de cidadania). 

Citamos e entregamos ao Dr. Rodrigo as relações das terras indígenas já homologadas pelo Presidente da República do Brasil. Essas terras indígenas homologadas encontram-se parcialmente suspensa por liminar do Supremo Tribunal Federal (STF), sem previsão de data para o julgamento final, de mérito. Solicitamos que seja julgamento imediatamente.


Destacamos na reunião, nós indígenas sofremos violências tanto pelos pistoleiros dos fazendeiros quanto pela decisão da justiça federal, que nenhuma decisão da justiça não considera os nossos direitos, todas as decisões foram favoráveis aos fazendeiros.


Justificamos ao juiz que nós indígenas retomamos uma parte de nossas terras demarcadas após aguardar a décadas a decisão da justiça, e hoje acabou a nossa paciência, não vamos mais aguardar não, que a nossa decisão e fazer retomada de nossas terras demarcadas e já regularizadas pelo governo, porque as nossas crianças e idosos estão sofrendo e morrendo, estamos sendo massacrados, enganados e humilhados, por isso decidimos a realizar o movimento de retomada das terras tradicionais.


Narramos ao Dr. Rodrigo que há o impedimento dos indígenas para caçar, pescar e usufruir da mata nativa que resta na terra já declarada como indígena, mas ainda ocupada por fazendeiros. Há a extração e comércio ilegal de madeira na mata nativa que resta na terra já declarada indígena.
Há o encurralamento e isolamentos das famílias indígenas, precariamente instaladas em barracos de lona em barranco à beira da rodovia.
Na rodovia, há atropelamento das crianças e idosos, as ameaças, as mortes, o despejo sofrido (queima de barracos) pelos indígenas sem que tenham conhecimento da existência de investigações e/ou conclusões a respeito.

Mais uma vez, solicitamos ao presidente da República do Brasil para atender as nossas demandas mencionadas. Ao Presidente do STF, pedimos o julgamento urgente de nossas terras já homologadas que se encontram paralisadas ou suspensas no Supremo Tribunal Federal. Essas reivindicações que entregamos ao juiz Rodrigo Rigamonte. Pedimos a CNJ para visitar in loco as áreas em litígios.

Atenciosamente,

Campo Grande-MS, 01 de junho de 2013.

Comissão das lideranças da assembleia geral Aty Guasu Guarani-Kaiowá.

Os povos indígenas e as terras que tradicionalmente habitam

Leia esclarecedor Artigo de Iara Tatiana Bonin postado no Cimi!

Produtores oferecem 15 mil hectares pra solucionar conflito em Sidrolândia

Brasil: Do Carnaval e Futebol ao País Anti-Indígena


Por Tereza Amaral

O país do carnaval e futebol tem mostrado, ultimamente, ser cruel com a sua população originária. O belo mosaico com 305 etnias, falando 247 idiomas e totalizando uma população de 896,9 mil pessoas que encanta o mundo vem sendo - alguns povos - alvo de sucessivas violências.
E o que é pior: pelo próprio governo, instituições governamentais, Agronegócio e as Casas do Povo contaminadas pelas 'pesticidas' das bancadas ruralistas (Câmara Federal e Senado).
Em menos de sete meses a Polícia Federal matou dois indígenas em desastrosas operações. Os povos Guarani-Kaiowá, segunda maior etnia, sofrem com miserabilidade, ataques e execuções por pistoleiros a mando de fazendeiros.  E nós assistimos a tudo impactados com outra grande violência: a omissão da presidente Dilma Rousseff.
Omissão e indiretamente participação. O assassinato de Adenilsom kirixi Munduruku aconteceu na Operação Eldorado, na aldeia Teles Pires (PA), autorizada pela presidente que, em seguida,  também autorizou a ida de uma equipe para realização de estudos nas terras dos Munduruku. E sem consulta.
Com a reação - duas invasões a Belo Monte - e a demonstração de força das lideranças, além da morte de Oziel Terena, Dilma fez um recuo.
 Na próxima quarta-feira saberemos o que a presidente decidirá sobre o complexo Tapajós.Muito possivelmente  irá enganar mais uma vez os indígenas e declarar ao mundo que tudo fez pra negociar. É sabido que Dilma não conhece de diplomacia. Ela não negocia; ela impõe! 

1 de junho de 2013

"Hipocrisia e pouca vergonha o que se está fazendo com os povos e direitos indígenas neste país"


“Estamos em véspera do Encontro Mundial da Juventude, quem sabe não seria a oportunidade de dizer para o Brasil e o mundo, porque nas últimas décadas se suicidaram 555 Kaiowá Guarani, sendo a grande maioria jovens. Talvez o Papa Francisco intercedesse junto ao governo brasileiro para por fim a esse processo de genocídio em curso no Mato Grosso do sul e outros estados”. O comentário é do indigenista Egon Heck. 


Foto Ilustração _ João Ramid

Ongs acusam Dilma de esquecer índios e favorecer ruralistas

"É cada vez maior a preocupação entre índios e ONGs com as atitudes da presidente Dilma Rousseff em relação à demarcação de terras indígenas. Um indicador disso são as quatro notas públicas sobre o tema divulgadas nesta semana. No curto espaço de quatro dias, o governo foi acusado quatro vezes de atropelar interesses indígenas para atender à bancada ruralista no Congresso. Em todas afirmou-se que a Constituição Federal está sendo desrespeitada". Leia na íntegra matéria de Roldão Arruda/Estadão!




Foto _ Marcos Tome/Região News

DISSECANDO NOTA DA CNA


Por Tereza Amaral

A Bancada Ruralista ousa querer mandar no país. E o que é pior: ainda recorre à obra de Gabriel Garcia Márquez, em sua 'Crônica de uma Morte Anunciada', ironicamente numa nota recheada de ameaças. 

Titulação:  CNA volta a cobrar suspensão das demarcações de terras indígenas* (ver nomes dos parlamentares  http://pt.wikipedia.org/wiki/Bancada_ruralista)
31/05/2013 - 19h46
Alex Rodrigues
Repórter Agência Brasil

(abertura da matéria) Um dia após um índio ser morto a tiros durante uma ação policial de reintegração de posse de uma fazenda localizada em Sidrolândia (MS), em Mato Grosso do Sul, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) voltou a cobrar do governo federal a suspensão das demarcações de terras indígenas.
Comentário: Quem a CNA pensa enganar se todos sabemos que as mortes no campo envolvendo agricultores, extrativistas, sindicalistas, ativistas e indígenas têm o seu apoio? Quando o casal de extrativistas  José Cláudio e Maria do Espírito Santo foi morto houve VAIAS na Câmara Federal (http://www.viomundo.com.br/denuncias/cristovao-feil-ruralistas-vaiam-anuncio-de-morte-de-extrativistas-do-para.html, http://www.tsavkko.com.br/2011/05/mais-grave-que-o-ja-gravissimo.html e http://lindomarpadilha.blogspot.com.br/2011/05/crimes-ruralistas-e-impunidade.html)
(corpo da matéria) Para a entidade, os processos demarcatórios devem ser interrompidos até que o Supremo Tribunal Federal (STF) se manifeste sobre a obrigatoriedade das 19 condicionantes impostas pela Corte para aprovar a demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, no Acre, sejam aplicadas a outros processos demarcatórios de reservas indígenas.
Comentário: A política indigenista é da competência do governo federal e não de poder paralelo. E, ainda assim, o governo tem que cumprir o que determina a CF e a convenção 169 da OIT
(Textual da CNA) “É mais do que hora de o governo federal suspender o processo de demarcação de terras indígenas, conduzido de modo arbitrário, e frequentemente ilegal, pela Funai [Fundação Nacional do Índio], e aguardar que o STF estabeleça em definitivo o regime jurídico de demarcações de terras indígenas no país”, diz a entidade.
Comentário: Arbitrariedade mesmo e 'fora de hora' é a Embrapa participar de reunião com ministros e lideranças Munduruku, em Brasília, ocupando o lugar da Funai, órgão que apesar de engessado pelo governo federal é o protetor dos índios.
Ainda na nota, a CNA declara que o “lamentável confronto” ocorrido durante a desocupação da Fazenda Buritis, do ex-deputado estadual Ricardo Bacha, é o que se pode chamar de “crônica de uma tragédia anunciada”.
Comentário: Meu Gabito...Nunca voltou do México depois do exílio por 'gente' como esses que menciona sua obra, dentre outros motivos.
(Mais textual, ou seja, declaração da entidade) “A confederação reiteradas vezes advertiu o Ministério da Justiça e a Advocacia-Geral da União (AGU) para o risco de acontecimentos como esse”, sustenta a entidade, argumentando que órgãos públicos e organizações sociais que dizem defender os índios os usam de massa de manobra, incentivando o antagonismo entre produtores rurais e as comunidades indígenas.
Comentário: Inverdade. Se não fossem entidades séria, como o Cimi por exemplo, provavelmente já não haveria indígenas nesse país.
(Mais textual ...) “É injusto, desumano e inadmissível que os índios, cidadãos brasileiros, sirvam de instrumento a essas iniciativas hostis e ilegais, que, desta vez, produziram uma vítima fatal”, acrescenta a entidade, se referindo a Osiel Gabriel, índio terena de 35 anos, morto durante a ação coordenada pela Polícia Federal com o apoio de policiais militares.
Comentário: Desde quando matar é 'produzir'..."que, desta vez, produziram uma vítima fatal'...
“A banalização da ilegalidade, que ignora a posse legítima da terra e promove invasões, depredações e agressões aos proprietários rurais, não pode continuar, sob pena de novas tragédias”, conclui a CNA, lembrando que, antes mesmo dos índios ocuparem a fazenda, no último dia 15, a Justiça Federal já havia se manifestado sobre a ilegalidade da ação.
Comentário: Ameaças
Na mesma semana em que ocuparam a Fazenda Buriti, os índios terenas estenderam a ação a mais três propriedades próximas (Santa Helena, Querência e Cambará).  
A ocupação das áreas particulares foi a forma que os indígernas escolheram para pressionar as autoridades públicas a ampliar de 2 mil hectares para 17 mil hectares a Aldeia Indígena Buriti, onde, segundo a Funai, vivem cerca de 5 mil índios. Um hectare corresponde a 10 mil metros quadrados, o equivalente a um campo de futebol oficial. A área reivindicada pelos índios foi reconhecida como território tradicional indígena pela Fundação Nacional do Índio (Funai) em 2011. O processo, no entanto, foi anulado pela Justiça Federal em Campo Grande e aguarda uma decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região.
Comentário: Se querem mandar no Brasil, imaginemos o que ocorre em Campo Grande...
Em Tempo: A análise é em cima da Nota da CNA e não da ABr.