28 de maio de 2013

Belo Monte: nova ocupação, mesmas demandas, mesmos problemas

Os indígenas escreveram uma carta aos trabalhadores do CCBM, "com quem a gente joga bola no canteiro", propondo uma aliança tática entre comunidades tradicionais, atingidos da região de Altamira e os operários do empreendimento (segundo os indígenas, a Força Nacional não tem permitido a distribuição dos panfletos). E dizem temer possibilidades de "infiltração" de falsos trabalhadores, pagos pelo Consórcio para criar situações de crise entre eles. Toda essa "sofisticação" do movimento indígena tem incomodado o governo e as empresas envolvidas na construção da obra, que sucessivamente tem tentado descaracterizar a ação e acusar os indígenas de serem manipulados por ONGs estrangeiras.. Leia matéria de Ruy Sposati!


Foto _ Cimi

Consulta aos índios tem que preceder qualquer decisão sobre usinas no Tapajós, afirma MPF

Recurso interposto pelo MPF solicita reconsideração de decisão do STJ e caso seja mantida a decisão, que seja encaminhado à corte especial. Leia em Brasil de Fato!
Foto _ Google

Construtor de Belo Monte vê risco de conflito entre trabalhadores e indígenas

O Consórcio Construtor de Belo Monte enviou cartas a quatro ministérios do governo Dilma alertando para o aumento do risco de um conflito entre trabalhadores da usina e indígenas.
Na carta,  encaminhadas há duas semanas, o consórcio pediu medidas urgentes para garantir a segurança nos canteiros de obra de Belo Monte. Os pedidos não foram respondidos. 
E a principal preocupação é que a sequência de ocupações possa gerar conflitos entre os trabalhadores alojados e os indígenas. A situação na região é classificada como "extremamente tensa". Leia na íntegra matéria da Folha de São Paulo!

Foto _ IHU

Eles têm a NÓS!

Foto Veja _ Manipulada



Por Tereza Amaral

Intransigência é uma coisa. Burrice já é algo que a presidente Dilma Rousseff não tem. Aliás, a mandatária do país possui uma inteligência intelectual - emocional (?)  - acima da média. E deveria recorrer à primeira para equacionar o grave quadro social que se redesenha no seu canteiro belomonteense.
Se Dilma tem boa memória deve recordar do grito Kararaô na década de 80 contra a hidrelétrica. Pois bem, mesmo sem Sting o de agora ecoa mais forte. E já que é assessorada pelo desmemoriado ex-missionário Gilberto Carvalho - diz não ter recebido convite para negociar com os indígenas Munduruku -  a própria Dilma deveria sair da sua 'zona nada confortável' e ir até lá.
O governo brinca 'em cima daquilo' e subestima uma etnia que tem ao longo da história uma tradição guerreira (http://pib.socioambiental.org/pt/povo/munduruku). Vamos torcer para que tudo transcorra dentro da civilidade que os índios estão ministrando aulas a  ministro sem educação e que não atende ao seu chamado. Gilberto Carvalho, os povos originários não irão recuar!

Somos UM! Avante!

Os indígenas que reocuparam Belo Monte não abrem mão de negociar com o próprio governo.  A Força Nacional não entra no canteiro principal e Dilma subestima os guerreiros que estão com mulheres e crianças defendendo os seus direitos. Assistam reportagem da TV Liberal!

http://globotv.globo.com/rede-liberal-pa/jornal-liberal-2a-edicao/v/indios-voltam-a-ocupar-canteiro-de-obras-da-usina-belo-monte-no-sudoeste-do-estado/2599152/
Foto Ilustração _ Campanha Munduruku

27 de maio de 2013

'A Viajante' que não chega a Belo Monte

Aniversário na Rússia/Uol



Por Tereza Amaral


A presidente Dilma Rousseff viaja... do continente africano ao mundo árabe, da América Central a Rússia,enfim, viaja até sem querer como ocorreu com a sua ida a Itália. Ela havia decidido não participar da posse do Papa Francisco. Mas foi. E quem conseguiu a proeza foi o ex-seminarista, o ministro Gilberto Carvalho.

Mas quando o assunto são povos indígenas, a presidente  não 'decola'. Ela tem sido irredutível em pegar um avião e ir até a sua grande obra: Belo Monte. E ficamos todos assistindo a um governo que não governa a todos e sequer institui uma comissão formada por técnicos da Funai e  - por que não? - pelo ex-missionário Carvalho. 

Também é de se estranhar o silêncio do governador do Pará, Simão Jatene, que não move um dedo para intermediar o que está acontecendo no estado a que governa. Entre tanta omissão, guerreiros dispostos a não permitirem mais abusos, imposições, omissões e infrações constitucionais e de convenção internacional. Eles  enfrentam o governo com as armas que possuem: Dizer ao mundo que não aceitam a morte das bacias hidrográficas de suas terras.

O governo  está 'oco' diante de uma oca multiétnica - Arara, Kayapó , Munduruku, Xipaia e Tupinambá - que retomou mais uma vez o canteiro principal da usina . A indignação de movimentos sociais, entidades, missionários, ONGs , antropólogos e da população,  que ecoa seu grito nas redes sociais , é proporcional à polêmica hidrelétrica. E igualmente indigesta. Já passa da hora de Dilma conversar com as lideranças e que não ouse fazer de Belo Monte um segundo Eldorado de Carajás.

Norte Energia recorrerá à Justiça para desocupação de canteiro de obras de Belo Monte

27/05/2013 - 15h44

Alex Rodrigues
Repórter Agência Brasil
 
Brasília – Responsável pela instalação e operação da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará, a empresa Norte Energia recorrerá novamente à Justiça Federal para garantir que índios que ocuparam um dos canteiros de obras do empreendimento deixem o local.
Em nota divulgada nesta tarde, a empresa promete usar todos os recursos legais para retomar a área e garantir a volta ao trabalho dos 4 mil funcionários do Sítio Belo Monte, a cerca de 55 quilômetros de Altamira (PA). Por razões de segurança, as operações foram suspensas assim que os índios conseguiram entrar no local, por volta das 4h de hoje (27).
De acordo com a Norte Energia, o grupo de manifestantes é formado por cerca de 140 índios da etnia Munduruku. Moradores da região do Tapajós, a cerca de 800 quilômetros dos canteiros de Belo Monte, os munduruku pedem a imediata suspensão de todos os empreendimentos hidrelétricos na Amazônia até que oprocesso de consulta prévia aos povos tradicionais, previsto na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) seja regulamentado.
Esta é a segunda ação indígena neste mês que leva o consórcio construtor da usina a paralisar os trabalhos no Sítio Belo Monte, um dos três grandes canteiros de obras do empreendimento. A última ocupação foi no início de maio, durou oito dias e terminou com os índios deixando o local voluntariamente, sem necessidade de uso de força policial. Parte deles, no entanto, continuou acampada em Altamira, mobilizada contra a realização de estudos ou obras nos rios Xingu, Tapajós e Teles Pires.
Para a Norte Energia, a ordem de reintegração de posse do canteiro, expedida pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), no último dia 8, continua em vigor. Por isso, a empresa sustenta que os ocupantes da área descumprem ordem judicial e podem ser "responsabilizados civil e criminalmente pela nova invasão”. A informação ainda não foi confirmada pelo tribunal.
Tanto a Norte Energia quanto o Consórcio Construtor Belo Monte destacam que os manifestantes não apresentaram qualquer reivindicação e exigem uma reunião com representantes do governo federal para deixar o local.
Procurada, a Secretaria-Geral da Presidência da República não se manifestou, até o momento, sobre a exigência indígena. A Agência Brasil ainda não conseguiu contactar, por telefone, os líderes da manifestação.
Edição: Nádia Franco